Santa Catarina era o principal estado onde ocorriam furtos, roubos e desvios de cargas relacionados à Operação Torre de Babel, deflagrada pela Polícia Civil nesta quarta-feira (10) em sete estados e no Distrito Federal, apontam as investigações.
Foram cumpridos 18 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão nas cidades catarinenses de Joinville (14 prisões), São Francisco do Sul(1 prisão), Araquari (1 prisão) e Itapoá (1 prisão), no Norte catarinense, e Navegantes (1 prisão), no Litoral Norte.
Os presos foram levados ao Distrito Federal no início da tarde em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira). Eles vão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, furtos e roubos de cargas, entre outros crimes.
Em todo o país, foram cumpridos mandados no Paraná, Mato Grosso, São Paulo, Bahia, Goiás e Pernambuco, além do Distrito Federal, sendo 42 mandados de prisão preventiva e 6 de prisão temporária em Brasília e em outras 14 cidades.
“Inicialmente, a organização atuava apenas no Distrito Federal e no entorno, no comércio ilícito de entorpecentes, e com o desenrolar das medidas cautelares, deferidas judicialmente, foi possível identificar toda essa teia de crimes, praticada no Distrito Federal e em outros sete estados, sempre não só voltado para o mercado ilícito de drogas, mas também para o roubo, receptação e desvio de cargas", explica o delegado Fernando César, da Polícia Civil de Brasília.
“O principal foco de furtos roubos e desvios de cargas era aqui no estado, sendo negociada por receptadores e para posterior pagamento de tráfico de drogas que ocorria em outros estados do país inclusive”, explica o delegado Anselmo Cruz, responsável pela operação em Santa Catarina. Ainda segundo o delegado, vários veículos e caminhões foram apreendidos.
Furtos falsos
O delegado Fernando César diz que, por meio de diligências, foi possível identificar desvios de cargas ocorridas desde 2015, na região de Joinville.
“O grupo agia praticamente no desvio de cargas, nós vimos que muitas das estatísticas de roubo e furto eram fantasiosas, na verdade essas cargas eram desviadas pelos próprios motoristas. O registro desses furtos era feito em outra unidade da federação, para que isso passasse desapercebido da Polícia de Santa Catarina. Contava com uma verdadeira estrutura empresarial. Toda essa parte de registro, confecção de notas fiscais falsas, tudo para dar uma aparência de legalidade nesta mercadoria que acabava transitando em todo o território nacional”, declarou César.
Líder na Bahia
As investigações começaram há nove meses, depois que o líder dessa suposta organização, ligado ao tráfico de entorpecentes, Antônio Cesar Campanaro, o "Toninho", foi mapeado pela Polícia Civil. Ele tinha uma pousada em Morro de São Paulo onde fazia a lavagem de dinheiro da droga, conforme as investigações.
"Não só lavagem, mas também era um ponto para receber principalmente a maconha vinda do Nordeste e fazia uma parada ali, parte para o Morro de São Paulo, parte para o Distrito Federal e Goiás, para ser comercializado aí", explicou o delegado Fernando César.
O delegado ainda acredita que "toda a estrutura dessa organização foi desmantelada com cumprimento dos mandados" e em 10 dias devem encaminhar o inquérito para o judiciário.
G1 SC