Duas crianças continuam internadas em estado grave depois que um motorista invadiu uma creche em Chapecó, no Oeste catarinense, na tarde de terça-feira (24). O condutor, de 53 anos, estava bêbado, segundo a polícia, e foi autuado por seis tentativas de homicídio com dolo eventual (assumiu o risco de matar). Dos 24 alunos, com idade entre 4 e 5 anos, 8 ficaram feridos, sendo 6 levados para atendimento médico.
As crianças que estão na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) são uma menina e um menino, ambos de 5 anos. Ela estava com uma hemorragia na cabeça, mas já foi controlada. Ele teve traumatismo craniano, porém está consciente. O quadro de saúde das duas crianças é estável.
O motorista, que foi levado para um presídio regional, mora na mesma rua da creche. Depois do interrogatório dele e dos relatos dos policiais, o delegado responsável pelo caso, João Miotto, disse que chegou à conclusão de que não se tratava de um "simples acidente de trânsito" ou de uma lesão corporal culposa. O condutor contou, em depoimento, que tomava remédio controlado e que não podia ter misturado os medicamentos com álcool.
"A gente fez a atuação dele por crime de seis tentativas de homicídio com dolo eventual, em face da gravidade do crime, da quantidade de álcool que ele tinha no sangue, e também por ele ter informado que já tinha uma pré-disposição, uma doença anterior, tomava remédios controlados, não podia ingerir bebida alcoólica. E dessa forma ele assumiu o risco de consumir bebida alcoólica e conduzir veículo automotor, tanto que perdeu o controle do veículo causando esse fatídico acidente", disse o delegado.
A creche fica no Bairro Efapi e tem turmas de manhã e de tarde,
totalizando 80 crianças. As aulas estão suspensas e devem ser retomadas na
próxima quarta-feira (2).
Susto
Edina Vieira, auxiliar de produção e mãe de um dos alunos da creche,
disse que levou um susto quando soube da notícia. O filho dela levou 3 pontos
na cabeça e 6 no braço.
"Estava trabalhando, quando a minha irmã foi lá e me avisou que era para eu ir no hospital porque o meu nenê estava lá. Aí levei um choque, porque ele estava todo ensanguentado ainda e foi um desespero total", contou. "É uma revolta muito grande porque é tudo anjo que não sabe de nada", acrescentou.